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quinta-feira, 24 de abril de 2014

PEQUENOS GRANDES MESTRES

Natália Lizeth López López

Emocionante e profundo discurso de Natalia Lizeth López López, uma pequena indígena de 11 anos, natural de Vera Cruz/México, durante a premiação do concurso de fotografias “Um Flashazo Ciudadano”, em 25 de março de 2014.

Após saudar o público em sua língua nativa, a pequena Natália surpreende a todos com sua desenvoltura, sabedoria e nível de consciência bastante elevados para os nossos tempos.
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Tradução

“Bom dia a todos os presentes! Meu nome é Natália Lizeth López López, sou aluna na Escola Primária Professor Rodolfo Léon Garza e sou orgulhosamente de origem indígena.

Agradeço a oportunidade que me vem de participar deste concurso de fotografia “Um Flashazo Ciudadano”, organizado pela Comissão Estatal Eleitoral de Nuevo Léon. O tema que se trata aqui é muito importante. Sinto que o tema é muito meu.

Vivemos em um país mega-diverso. Tantas culturas fazem mescla de tradições e costumes muito singulares, que nos fazem ser um país único e especial. México, um dos países no mundo com uma grande diversidade de etnias e populações indígenas.

Ignoro quem foi a pessoa encarregada de escolher o tema desse concurso, “Multiculturalismo no Estado de Nuevo Léon”. Mas a agradeço enormemente porque abriu uma oportunidade de conhecer e transmitir algo de nossas culturas a mais pessoas.

Minhas raízes são de origem indígena. Pertenço a uma dessas culturas que são minoria na sociedade. Pertenço às Marias que se sobressaem nas ruas por se vestirem diferentes e por falar uma língua antiga, “El nahuatl”. E ainda que eu viva em uma grande cidade de Nuevo Léon, meus pais se encarregam de ensinar-me o valor de minhas raízes de Vera Cruz. Porque eu nasci nessa parte, perto de Cierro Del Viento, donde se diz que está plasmada a mão de Montezuma. É uma grande silhueta, um espetáculo maravilhoso.

Apesar de minha pouca idade, conviver com meus pais em seu trabalho como vendedores nas ruas deu-me a oportunidade de conhecer sobre as mais distintas situações da vida.

Minha mãe vende plantas nos mercadinhos perto da minha casa. “Ponha água na planta e a trate com carinho para que nasça a flor”: assim diz minha mãe a seus clientes. Mas, a mim, me disse: “Lave os dentes sempre que comer, se quer que permaneçam branco; ponha creme todos os dias, para que tua pele não resseque; leia 30 minutos diariamente e aprenderá muitas coisas”.

Um dia, minha professora pôs sobre o quadro negro uma frase que dizia: “Uma gota perfura a rocha não pela sua força, mas sim por sua constância”. Eu não a entendi de imediato, mas quando ela nos explicou com exemplos, eu me lembrei de meus pais e do que eles me dizem dia a dia. Hoje, eu entendo que somente obtemos as coisas se somos constantes.

Eu vejo as notícias de que os níveis de delinquência, sequestros e corrupção estão muito elevados, e que cada vez mais existe menos educação.

Por que se perde o respeito pelos nossos idosos, pelos nossos vizinhos, pelo nosso país? Por que as diferentes etnias de nosso país estão sendo perdidas? Por que não valorizamos a riqueza de nossas raízes? Pois, porque não estamos praticando valores, porque dia a dia deixamos de fazer boas ações e de nos preocupar com os demais.

Os adultos se perdem no estresse da vida diária, e dão tanta importância para as coisas materiais que a sociedade nos oferece, e esquecem o verdadeiramente importante: incutir amor e valores a partir da família.

Precisamos praticar honestidade, praticar a comunicação, praticar a tolerância, praticar no altar... praticar, praticar, praticar, praticar valores, muitos valores, dia a dia, na família, na escola, no trabalho, nos parques... A constância faria com que os adultos se tornassem respeitosas, pontuais, cordiais, organizados e produtivos. Se cada um de nós valorizasse o positivo de nossas culturas, quanta riqueza teria a nossa sociedade!

Esqueça-se um pouquinho do celular, do videogame, do chat e abrace quem você gosta; fale pessoalmente e os laços de amor e os valores aumentarão.

Eu sou Natália, falo a língua “nahuatl” porque minha mãe me ensina, mas sinto um grande pesar por não conhecer a “totonaca” que meu pai carrega em seu coração.

Obrigada por me escutar!”
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 SEDIMENTANDO VALORES ESQUECIDOS